A expressão OK é provavelmente a palavra mais falada no planeta e está presente na rotina de bilhões de pessoas. Mas o que quase ninguém sabe é que essa sigla onipresente nasceu de uma brincadeira interna entre jornalistas dos Estados Unidos no século 19.

Embora pareça uma abreviação moderna e técnica, o termo surgiu como um erro de ortografia proposital. De acordo com o etimologista Allen Walker Read, professor da Universidade de Columbia, o OK significa oll korrect.

Essa era uma forma satirizada de escrever all correct, que em português significa tudo correto. Naquela época, era comum que jornais de Boston e Nova York criassem siglas engraçadas para confundir ou divertir seus leitores mais atentos.

A primeira aparição oficial na imprensa

O registro mais antigo que se tem notícia foi publicado no jornal The Boston Morning Post em 23 de março de 1839. O editor Charles Gordon Green usou a sigla em um texto satírico sobre uma organização local.

O que começou como um meme de jornal acabou se espalhando para outras publicações importantes. Em pouco tempo, o The Baltimore Sun e a Philadelphia Gazette também já utilizavam o termo em suas colunas diárias.

Essa moda de abreviações era muito parecida com o que vemos hoje na internet com gírias como LOL ou kool. Naquela década de 1830, os americanos estavam experimentando novas formas de tornar a escrita mais ágil e divertida.

O papel da política na popularização

Apesar de ter nascido na imprensa, foi a política que deu o empurrão final para o OK dominar o país. Durante a eleição presidencial de 1840, o candidato Martin Van Buren usou a sigla a seu favor.

O apelido de Van Buren era Old Kinderhook, em referência à sua cidade natal. Seus apoiadores criaram os OK Clubs e usavam o slogan OK is OK para promover a campanha eleitoral.

Ao mesmo tempo, seus oponentes tentaram usar a sigla para espalhar boatos de que o ex-presidente Andrew Jackson era analfabeto. Eles diziam que ele escrevia OK em documentos oficiais por acreditar que se escrevia ole kurrek.

Um fenômeno linguístico global

É fascinante notar como uma piada de redação sobreviveu por quase dois séculos. O linguista Allan Metcalf, autor de um livro dedicado à palavra, afirma que essa é a história mais improvável da língua inglesa.

Hoje, o OK atravessa fronteiras culturais e linguísticas, sendo compreendido em praticamente qualquer lugar da Terra. Ele é usado como verbo, substantivo, adjetivo e até como um sinal de aprovação silencioso em mensagens de texto.

Para os especialistas, o sucesso do termo se deve à sua simplicidade fonética. O som é fácil de pronunciar em quase todos os idiomas, o que facilitou sua exportação dos Estados Unidos para o restante do mundo.

A lição por trás da sigla

A história do OK nos ensina que a língua é um organismo vivo e imprevisível. O que hoje consideramos uma norma de comunicação padrão começou como uma rebeldia ortográfica de jornalistas que queriam apenas se divertir.

Então, da próxima vez que você digitar essas duas letras no seu celular, lembre-se dessa herança histórica. O OK é a prova de que a criatividade humana pode transformar um erro bobo em um padrão global de entendimento.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.