A biotina é um dos suplementos mais buscados por quem deseja fortalecer cabelos e unhas, mas o surgimento de espinhas tem preocupado muitos usuários. Embora a substância seja essencial para o corpo humano, relatos de acne após o início da suplementação cresceram nas redes sociais recentemente.

Para entender se essa relação é real, especialistas analisaram como a vitamina B7 atua no organismo. A dermatologista Sandy Skotnicki, autora do livro Beyond Soap, afirma que não existem evidências científicas definitivas de que a biotina cause acne diretamente em todas as pessoas.

No entanto, a médica Michele Green, dermatologista cosmética de Nova York, traz uma explicação técnica importante sobre o fenômeno. Segundo ela, a biotina e o ácido pantotênico, conhecido como vitamina B5, competem pelos mesmos receptores de absorção no nosso sistema digestivo.

O conflito entre as vitaminas B7 e B5

Quando uma pessoa ingere doses muito altas de biotina, pode ocorrer uma espécie de bloqueio na absorção da vitamina B5. A falta dessa vitamina específica resulta em uma perda de umidade na pele e compromete a barreira cutânea protetora.

De acordo com a Dra. Michele Green, esse desequilíbrio pode levar a uma superprodução de células da pele. O resultado prático dessa combinação é o entupimento dos poros, o que facilita o aparecimento de quadros de acne inflamatória.

Mas é importante destacar que a deficiência de biotina é considerada rara em países com dietas variadas. O Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos Estados Unidos reforça que a maioria das pessoas obtém a quantidade necessária através da alimentação comum.

Fontes naturais e necessidade de suplementação

Alimentos como ovos, peixes, carnes, sementes e vegetais como o brócolis são fontes ricas dessa vitamina. O corpo utiliza a biotina para transformar alimentos em energia e manter o sistema nervoso funcionando de forma adequada.

A recomendação diária padrão para adultos saudáveis gira em torno de 30 a 100 microgramas. Muitas cápsulas vendidas no mercado, porém, oferecem doses cavalares que superam em muito essa necessidade básica do organismo humano.

Grupos específicos, como gestantes, lactantes ou pessoas com dependência de álcool, podem precisar de reforço. Fora desses casos, o uso indiscriminado para fins estéticos deve ser avaliado com cautela por um médico dermatologista ou nutricionista.

O que diz a ciência sobre os benefícios reais

O Office of Dietary Supplements (ODS) afirma que há poucas evidências científicas de que suplementos melhorem a pele de quem já é saudável. A maioria dos benefícios relatados na internet são baseados em depoimentos individuais e não em estudos clínicos robustos.

Para quem sofre com queda de cabelo ou unhas quebradiças, a suplementação pode ser indicada após exames. Nesses casos, os médicos costumam sugerir doses entre 2 e 5 mg, mas sempre monitorando as reações da pele do paciente.

Então, se você começou a tomar o complexo e notou espinhas dolorosas, o ideal é suspender o uso e observar. A saúde da pele depende de um equilíbrio delicado entre diferentes nutrientes que não deve ser quebrado sem orientação.

Antes de iniciar qualquer tratamento vitamínico, consulte um especialista para verificar suas taxas sanguíneas. O excesso de uma vitamina nunca deve prejudicar a absorção de outra, garantindo assim que o foco na beleza não se torne um problema dermatológico grave.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.