O herbicida glifosato, componente central do popular produto Roundup, voltou ao topo das discussões globais após uma decisão estratégica em Washington. O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva utilizando a Lei de Produção de Defesa para acelerar a fabricação do produto químico no país.

A medida classifica o herbicida como crítico à defesa nacional. O argumento do governo foca na produtividade agrícola e na garantia do abastecimento de comida. Mas a decisão gerou reações mistas, especialmente entre defensores da saúde pública e figuras políticas como Robert F. Kennedy Jr.

O impasse científico sobre o câncer

A grande polêmica gira em torno da segurança biológica do composto. Em 2015, a Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC), ligada à OMS, classificou o glifosato como um provável cancerígeno para humanos.

Essa classificação foi baseada em evidências de danos genéticos e casos de linfoma não-Hodgkin. Por outro lado, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) mantém uma postura diferente. Para a EPA, é improvável que o produto cause câncer em níveis normais de exposição.

Especialistas como a doutora Melissa Perry, da Universidade George Mason, alertam que a exposição é generalizada. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição, o glifosato foi detectado na urina de 80% dos americanos com mais de seis anos.

Riscos além das plantações

O contato com o químico não ocorre apenas no campo. A principal via de exposição para a população urbana é o consumo de alimentos cultivados de forma convencional. Culturas como soja, milho, trigo e aveia costumam apresentar resíduos do herbicida.

Além do risco de câncer, novas pesquisas sugerem outros perigos. Um estudo de 2025 publicado na revista Environmental Health indicou que doses baixas podem causar estresse oxidativo. Isso levanta dúvidas sobre se o limite regulatório atual é realmente seguro para o corpo humano.

Estudos em animais também mostram possíveis efeitos no sistema endócrino e na saúde da microbiota intestinal. Então, o debate deixa de ser apenas sobre produtividade e passa a ser uma questão de vigilância sanitária rigorosa.

Transparência e credibilidade em xeque

A confiança nos dados de segurança sofreu um abalo recente. Um artigo científico de 2000, muito usado para defender o glifosato, foi retirado da revista Toxicologia Regulatória e Farmacologia. O motivo foram preocupações éticas sobre a influência da Monsanto na redação do texto.

A Bayer, que comprou a Monsanto em 2018, já gastou bilhões de dólares em acordos judiciais. Milhares de pessoas alegam que o uso do Roundup causou doenças graves. Mesmo assim, a empresa defende que o glifosato é essencial para a agricultura moderna.

Como reduzir a exposição no dia a dia

Para quem busca mais segurança, existem caminhos práticos. A doutora Melissa Perry recomenda priorizar alimentos orgânicos sempre que possível. Lavar bem frutas e vegetais e remover cascas comestíveis também ajuda a reduzir a ingestão de resíduos químicos.

No uso doméstico, o ideal é evitar herbicidas à base de glifosato em jardins residenciais. Se o uso for inevitável, especialistas como o doutor Gunnar Boysen, da Universidade de Arkansas, reforçam a necessidade de proteção.

O uso de luvas, roupas compridas e máscaras é fundamental para quem aplica o produto. O cenário atual mostra que, enquanto a política acelera a produção, a ciência pede cautela redobrada com o que chega ao prato dos cidadãos.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.