Os carboidratos são a principal fonte de energia do organismo humano e retirá-los drasticamente da rotina alimentar provoca mudanças profundas no funcionamento do corpo. Embora as dietas de baixo carboidrato, como a cetogênica, tenham ganhado popularidade extrema nos últimos anos, especialistas alertam que a transição exige cuidado e acompanhamento profissional para evitar danos à saúde.

Segundo a nutricionista Kristin Kirkpatrick, da renomada Cleveland Clinic, a interrupção súbita no consumo de massas, pães e frutas pode desencadear a chamada gripe low-carb. Esse fenômeno acontece porque o cérebro prefere a glicose como combustível. Sem ela, o indivíduo pode sentir fadiga extrema, tontura, irritabilidade e dores de cabeça intensas logo nos primeiros dias de restrição.

A fase da cetose e a queima de gordura

Quando o corpo deixa de receber carboidratos, ele entra em um estado metabólico chamado cetose. Nesse estágio, o organismo passa a queimar gordura para gerar energia, liberando fragmentos de carbono conhecidos como cetonas no sangue. De acordo com a especialista Kimberly Gomer, do Pritikin Longevity Center, esse processo pode parecer vantajoso para o emagrecimento rápido, mas tem um custo.

A gordura é uma fonte de combustível mais lenta do que a glicose. Isso significa que pessoas que praticam exercícios físicos podem sentir uma queda drástica no rendimento. A falta de energia rápida dificulta atividades que exigem explosão ou resistência prolongada. Além disso, a perda de peso inicial costuma ser apenas a eliminação de líquidos, o que pode gerar uma falsa sensação de emagrecimento real.

O risco da restrição severa a longo prazo

Manter uma dieta sem carboidratos por muito tempo é um desafio que poucos conseguem sustentar. Um estudo publicado no British Journal of Nutrition comparou dietas de baixo carboidrato com dietas de baixa gordura. Embora a redução de carboidratos tenha se mostrado eficaz contra a obesidade, a restrição total é vista como insustentável e potencialmente perigosa para a saúde cardiovascular.

A nutricionista Juliana Shalek reforça que a redução de glicose no sangue minimiza o armazenamento de gordura, mas o isolamento social e a fome psicológica podem levar a episódios de compulsão. O corpo humano, em sua inteligência biológica, tende a desejar aquilo que lhe é negado de forma agressiva, transformando a dieta em um ciclo de privação e sofrimento.

A importância das fibras para o organismo

A solução apontada por especialistas não é a eliminação, mas a escolha inteligente de fibras. A nutricionista Maya Feller explica que a recomendação diária de fibras para mulheres é de cerca de 25 gramas. As fibras não são absorvidas pelo corpo, então elas ocupam espaço no intestino e promovem uma saciedade prolongada, auxiliando no controle do peso de forma natural.

Dietas pobres em fibras podem prejudicar seriamente a saúde gastrointestinal e aumentar os riscos de doenças do coração. Alimentos como aveia, feijão, abacate e vegetais de folhas escuras são carboidratos de alta qualidade. Eles oferecem suporte ao sistema imunológico e possuem propriedades que ajudam na prevenção de doenças graves, como o câncer.

Antes de realizar qualquer mudança radical, é fundamental buscar orientação de um nutricionista licenciado. O foco deve estar na densidade nutricional e não apenas na exclusão de grupos alimentares. Optar por grãos integrais e vegetais frescos é sempre mais seguro do que apostar em dietas restritivas que prometem milagres, mas entregam cansaço e riscos desnecessários ao seu bem-estar.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.