Dormir pouco deixou de ser apenas um sinal de cansaço para se tornar um alerta crítico de saúde pública. Estudos recentes indicam que a privação de sono impede o cérebro de realizar uma espécie de “faxina” interna, essencial para evitar doenças degenerativas.
Segundo o Dr. Pedro Schestatsky, neurologista com pós-doutorado em Harvard, durante o sono profundo o corpo ativa o sistema glinfático. Esse mecanismo é responsável por remover resíduos metabólicos e proteínas tóxicas, como a beta-amiloide, diretamente ligada ao Alzheimer.
O colapso silencioso da imunidade e do coração
A ciência é clara: o prejuízo não fica restrito à memória. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que cerca de 40% da população mundial sofre com distúrbios do sono, o que sobrecarrega o sistema cardiovascular.
A falta de descanso mantém os níveis de cortisol elevados, o que favorece a hipertensão e arritmias. Além disso, a Associação Brasileira do Sono (ABS) alerta que a imunidade pode cair drasticamente, tornando o corpo um alvo fácil para infecções.
Para a Dra. Anna Luísa Barbosa Fernandes (CRM-GO 33.271), manter a regularidade no horário de dormir é o que garante o equilíbrio do ritmo circadiano. Tentar compensar o sono perdido no final de semana, segundo especialistas, é uma estratégia ineficaz para o cérebro.
A armadilha da luz azul e da produtividade tóxica
Vivemos em uma era que romantiza a privação de sono em nome da produtividade. Mas o preço é alto: irritabilidade, falhas graves de atenção e um risco aumentado de acidentes de trânsito e de trabalho.
A exposição excessiva à luz azul de celulares e tablets antes de deitar bloqueia a produção de melatonina. Esse hábito moderno interrompe o ciclo natural de reparação celular, impedindo que o organismo se recupere do estresse diário.
Como proteger sua saúde neurológica hoje
Especialistas recomendam a chamada higiene do sono como medida preventiva urgente. Manter o quarto escuro, silencioso e com temperatura entre 18°C e 22°C ajuda o corpo a entrar nas fases mais profundas do descanso.
Evitar cafeína e refeições pesadas à noite também é fundamental para reduzir a carga metabólica. O foco não deve ser apenas na quantidade de horas, mas na qualidade do repouso para permitir que a “limpeza” cerebral ocorra sem interrupções.
No fim das contas, dormir bem não é um luxo, mas uma necessidade biológica inegociável. Ignorar os sinais de esgotamento é aceitar um declínio cognitivo que pode ser irreversível no futuro.


