O óleo de eucalipto tem se tornado um tema central em discussões sobre rotinas de cuidados com a pele naturais. No entanto, especialistas alertam que a origem vegetal de um ingrediente não garante sua segurança para uso tópico.

Embora seja amplamente reconhecido por ajudar no alívio de sintomas respiratórios e congestão nasal, sua aplicação direta no rosto é motivo de controvérsia. Dermatologistas renomados apontam que faltam evidências científicas sólidas para recomendar o produto como tratamento dermatológico.

A médica Y. Claire Chang, dermatologista da Union Square Laser Dermatology em Nova York, esclarece que a maioria dos estudos sobre o tema foi feita em laboratório. Isso significa que os efeitos reais em seres humanos ainda precisam de mais comprovação.

Propriedades e riscos do ingrediente

O extrato é extraído principalmente da espécie Eucalyptus globulus e contém compostos como o cineol, flavonoides e taninos. Tais substâncias possuem propriedades antimicrobianas e antioxidantes que despertam o interesse da indústria de cosméticos.

Em testes de bancada, o óleo demonstrou potencial para aumentar a produção de ceramidas, o que ajudaria na hidratação da pele. Mas a dermatologista Deanne Mraz Robinson alerta que o risco de irritação é consideravelmente alto.

Reações como coceira, vermelhidão e queimação são comuns quando o óleo essencial não é manipulado corretamente. O óleo de eucalipto é extremamente potente e pode causar dermatite de contato em peles mais sensíveis ou reativas.

O perigo do uso sem diluição

Um dos erros mais frequentes entre entusiastas de produtos naturais é aplicar o óleo puro sobre a pele. Os especialistas são categóricos ao afirmar que ele deve ser sempre diluído em um óleo carreador, como o de jojoba.

Mesmo com a diluição, o uso no rosto não é recomendado por Robinson, que prefere sugerir ingredientes com eficácia clinicamente comprovada. A fragrância forte do eucalipto atua como um irritante potencial para a barreira cutânea facial.

Além disso, pessoas que possuem alergia ao óleo de melaleuca (tea tree) devem evitar o eucalipto. Ambos compartilham compostos químicos semelhantes que podem disparar reações alérgicas severas em indivíduos predispostos.

Inalação versus aplicação tópica

Para quem busca os benefícios do eucalipto, a inalação parece ser o caminho mais seguro e eficaz. O vapor ajuda a relaxar os músculos e a limpar o muco nasal, proporcionando bem-estar geral.

Robinson sugere que o uso seja limitado a difusores, banhos de vapor ou gotas em toalhas úmidas. Essas práticas aproveitam o aroma relaxante sem expor a pele aos riscos de queimaduras químicas ou irritações persistentes.

É fundamental destacar que a ingestão desse óleo é extremamente perigosa. O National Capital Poison Center adverte que o consumo oral pode levar a convulsões e intoxicações graves, exigindo socorro médico imediato.

Orientações finais e segurança

Antes de incluir qualquer óleo essencial na rotina, a consulta com um dermatologista é indispensável. O profissional poderá avaliar se sua barreira cutânea suporta o ingrediente ou se há opções mais seguras.

Mulheres grávidas, lactantes e crianças devem manter distância do uso tópico de eucalipto sem supervisão médica. A segurança infantil é prioritária, pois a pele dos pequenos é muito mais fina e permeável a substâncias tóxicas.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.