O uso de chinelos dentro de casa tornou-se uma tendência de bem-estar que divide opiniões entre especialistas em saúde. Embora o movimento viral sugira que manter os pés aquecidos previne doenças, a realidade médica foca na estrutura física.

Segundo o cirurgião de pé Miguel Cunha, proprietário da Gotham Footcare em Nova York, o calçado interno oferece suporte crucial. Ele explica que superfícies duras podem causar estresse nas articulações e dores crônicas se não houver amortecimento adequado.

Os riscos do chão duro para as articulações

Ficar descalço por períodos prolongados em pisos rígidos pode ser prejudicial para quem já possui condições pré-existentes.

O calçado de apoio reduz a pressão repetitiva e distribui o peso de forma equilibrada. Isso evita o colapso do arco do pé e diminui o cansaço muscular excessivo durante as tarefas domésticas.

Para quem sofre com pés planos ou arcos muito altos, o uso de chinelos estruturados é uma recomendação médica direta. O objetivo é criar uma barreira de proteção contra o impacto constante que o corpo sofre ao caminhar.

Quando andar descalço é realmente benéfico

Apesar dos alertas, a prática de andar sem sapatos também possui defensores na comunidade médica. O contato direto com o solo estimula receptores nervosos nas solas dos pés, melhorando o equilíbrio e a consciência corporal.

O doutor Miguel Cunha destaca que, em ambientes limpos, ficar descalço permite que os dedos se espalhem naturalmente. Isso fortalece os músculos intrínsecos e pode até prevenir infecções fúngicas ao manter a pele ventilada.

No entanto, a médica Mitzi L. Williams, do Paley Orthopedic & Spine Institute, ressalta que cada pé é único. Pessoas com joanetes ou tendinite de Aquiles podem sentir uma piora nos sintomas se abandonarem os sapatos totalmente.

Higiene e prevenção de infecções domésticas

Um ponto fundamental destacado pelos especialistas é a separação rigorosa entre calçados de rua e de casa. Usar sapatos externos dentro da residência pode transportar bactérias e fungos perigosos para o ambiente familiar.

O uso de chinelos ajuda no conforto térmico, mas não impede resfriados comuns, como sugerem alguns vídeos na internet. O cirurgião Miguel Cunha esclarece que doenças surgem de germes e vírus, não apenas do frio nos pés.

Para quem deseja adotar o hábito de andar descalço, os médicos sugerem uma transição gradual. Monitorar dores no calcanhar logo ao acordar é uma forma de perceber se o corpo está se adaptando bem.

Existem grupos específicos que devem evitar o hábito de andar descalço com frequência. Pacientes com diabetes ou neuropatia precisam de proteção constante nos pés devido à sensibilidade reduzida e riscos de lesões não percebidas.

A recomendação dos especialistas é buscar o equilíbrio entre os dois mundos. Alternar o uso de calçados de apoio com momentos descalços pode fortalecer a base do corpo sem causar sobrecarga desnecessária.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.