A ansiedade no relacionamento tem se tornado um dos principais fantasmas da vida moderna, afetando até quem vive momentos de paz. O fenômeno acontece quando uma pessoa sente medo constante de ser abandonada ou traída, mesmo sem motivos reais.
Especialistas em saúde mental explicam que essa insegurança não é apenas carência. Segundo a terapeuta Melina Alden, licenciada em terapia familiar, o cérebro muitas vezes cria mecanismos de autoproteção que acabam sendo autodestrutivos.
Essa vigilância excessiva gera um estresse desnecessário entre o casal. O parceiro ansioso busca garantias o tempo todo, perguntando se está tudo bem. Isso pode cansar o outro e criar o afastamento que a pessoa tanto temia.
O peso dos traumas do passado
Um dos motivos centrais para esse comportamento é o trauma emocional de relações anteriores. Se alguém já foi enganado ou deixado sem explicações, o cérebro aprende a esperar pelo perigo em qualquer situação.
De acordo com estudos da área de psicologia comportamental, situações neutras são interpretadas como ameaças. Um silêncio ou uma demora na resposta de uma mensagem vira um sinal de alerta máximo para quem sofre.
Nesses casos, a pessoa não está reagindo ao presente, mas sim às feridas do passado. É um ciclo difícil de quebrar sem ajuda profissional ou um esforço consciente de autoconhecimento e análise da realidade atual.
A tendência de imaginar o pior cenário
Outro fator determinante é a catastrofização, um viés cognitivo onde a mente salta para as piores conclusões possíveis. Se o parceiro está cansado do trabalho, o ansioso pensa que o amor acabou.
Essa característica é comum em pessoas que já possuem transtornos de ansiedade generalizada. Pequenas incertezas do cotidiano são transformadas em tragédias iminentes, o que drena a energia vital do relacionamento e impede a felicidade.
Para combater isso, é preciso focar em fatos concretos. A ciência recomenda questionar se existem evidências reais de que algo está errado ou se é apenas uma suposição baseada no medo da vulnerabilidade.
O medo de se entregar totalmente
Confiar em alguém é um risco inerente ao ser humano. Muitas pessoas sentem que, se baixarem a guarda e se sentirem seguras, a dor da decepção será muito maior no futuro.
Esse medo de ser ferido faz com que o indivíduo tente ficar um passo à frente da dor. Mas essa estratégia de defesa acaba impedindo que a conexão entre o casal se torne profunda e verdadeira.
Em vez de aproveitar os momentos bons, a pessoa gasta tempo procurando defeitos. Isso impede que o casal construa memórias positivas, que são a base de qualquer união duradoura e saudável.
Como lidar com a insegurança constante
Para superar esses episódios, a recomendação de especialistas como Melina Alden é fazer pausas para checar a realidade. Pergunte a si mesmo se o comportamento do parceiro é um padrão ou apenas um fato isolado.
Redirecionar a atenção para atividades prazerosas em conjunto ajuda muito. Cozinhar, caminhar ou assistir a um filme juntos fortalece o vínculo e acalma a mente ansiosa, trocando pensamentos invasivos por experiências reais.
É fundamental entender que a ansiedade precisa ser tratada na raiz. Se o padrão de pensamento negativo persistir, buscar terapia é o caminho mais seguro para garantir que o relacionamento prospere com saúde e confiança mútua.
