O relacionamento entre irmãos costuma ser idealizado por filmes e redes sociais como uma amizade eterna e incondicional. Mas a realidade dentro das casas brasileiras e ao redor do mundo mostra um cenário bem diferente do que os comerciais de margarina sugerem.
Recentemente, o caso das irmãs Hilary e Haylie Duff trouxe o tema para os holofotes globais. Hilary desabafou em seu novo álbum sobre a distância emocional de sua irmã, descrevendo a situação como uma das partes mais solitárias de sua vida atual.
Especialistas em comportamento afirmam que esse afastamento não é apenas comum, mas muitas vezes uma resposta natural a dinâmicas familiares complexas. A terapeuta Erin Runt, baseada em Chicago, explica que muitos irmãos funcionam apenas como conhecidos amigáveis que compartilham histórias do passado.
O peso do favoritismo e da criação
De acordo com a doutora Karen Gail Lewis, autora de estudos sobre terapia de irmãos, o favoritismo parental é um dos maiores venenos para a união fraterna. Mesmo quando não é intencional, a preferência por um filho gera ressentimentos profundos.
Aquele que recebe menos atenção ou mais críticas tende a carregar mágoas para a vida adulta. Esse sentimento acumulado dificulta a construção de uma base de confiança, tornando o convívio forçado e muitas vezes insuportável com o passar dos anos.
Por outro lado, o envolvimento parental positivo pode criar aliados para a vida toda. Pais que incentivam o cuidado mútuo e a colaboração desde cedo tendem a ver seus filhos mais unidos quando os desafios da maturidade aparecem no horizonte.
A ciência das fases da vida e idades
Um ponto interessante levantado por pesquisadores da área de psicologia familiar é que a proximidade física na infância não garante amizade na velhice. O que realmente une as pessoas são as experiências de vida compartilhadas em momentos similares.
Se dois irmãos casam ou têm filhos em épocas próximas, a chance de criarem um novo vínculo orgânico aumenta drasticamente. Eles passam a trocar conselhos e vivências que os aproximam por afinidade de rotina, e não apenas por obrigação de sangue.
Sobre a diferença de idade, a ciência não aponta uma regra exata. No entanto, intervalos maiores que seis anos podem dificultar a conexão inicial como pares, já que as fases de desenvolvimento são muito distintas durante o crescimento escolar.
Saúde mental e o fim da culpa
É fundamental entender que a distância entre irmãos não deve ser motivo de vergonha ou culpa excessiva. A pressão social para que todos sejam melhores amigos pode causar um estresse desnecessário em quem já vive uma relação fragilizada.
A saúde mental individual deve ser prioridade quando um relacionamento familiar se torna tóxico ou puramente protocolar. Manter uma distância respeitosa é, muitas vezes, a solução mais madura para preservar a paz de todos os envolvidos no núcleo familiar.
Para quem deseja reatar, o caminho passa pelo reconhecimento de que o outro mudou. Não se busca o irmão da infância, mas sim o adulto que ele se tornou hoje, com todas as suas novas virtudes e defeitos acumulados.
