O colesterol alto é uma preocupação crescente que afeta quase metade dos adultos, mas o uso de suplementos sem orientação pode ser um erro perigoso. Médicos renomados afirmam que a busca por soluções rápidas em cápsulas muitas vezes ignora a ciência básica da saúde do coração.

A doutora Maria Delgado-Lelievre, cardiologista e diretora do Centro de Hipertensão Integral em Miami, explica que o estilo de vida é o primeiro ponto a ser analisado. Segundo ela, o colesterol elevado geralmente caminha junto com o excesso de peso e dietas ricas em gorduras saturadas.

A base para o controle real do problema começa na cozinha e não na farmácia de manipulação. A especialista reforça que limitar alimentos processados e focar em vegetais, frutas e grãos integrais é a única forma sustentável de mudar os números nos exames de sangue.

O perigo das promessas milagrosas

Muita gente recorre a suplementos esperando um milagre que a medicina tradicional supostamente não ofereceria. No entanto, a doutora Nieca Goldberg, da NYU Langone Health, alerta que produtos como alho, bergamota e CoQ10 não reduzem o colesterol de forma significativa.

O maior sinal de alerta aparece quando um suplemento promete substituir as estatinas ou curar doenças cardíacas rapidamente. Essas promessas são perigosas porque os suplementos não possuem a mesma regulamentação rigorosa de órgãos como a FDA ou a Anvisa.

Então, o consumidor acaba gastando dinheiro em produtos que não têm eficácia comprovada por estudos clínicos sérios. A falta de fiscalização significa que a quantidade de ingredientes ativos pode variar drasticamente entre um frasco e outro, gerando insegurança para o paciente.

A polêmica do arroz de levedura vermelha

Um dos itens mais vendidos no mercado é o suplemento de arroz de levedura vermelha. Ele contém um composto natural que se assemelha a uma dose baixa de estatina, o que pode reduzir o LDL de forma modesta.

Mas o problema é que, justamente por agir como um remédio, ele também traz os mesmos efeitos colaterais das medicações controladas. Sem o acompanhamento de um médico, o paciente corre o risco de sofrer danos musculares ou hepáticos sem saber a causa.

Além disso, a doutora Delgado-Lelievre pontua que esses produtos são frequentemente promovidos em redes sociais sem qualquer embasamento científico. O marketing agressivo foca no medo das estatinas para vender uma alternativa que pode ser ineficaz para casos graves.

O papel essencial das estatinas

Para pacientes de alto risco, que já sofreram infarto ou têm diabetes, as estatinas são insubstituíveis. Elas não servem apenas para baixar números, mas para reduzir o risco de morte cardiovascular e derrame cerebral, algo que nenhum suplemento provou fazer.

A redução do colesterol com medicação pode ser vista em apenas quatro semanas. Já com dieta e exercícios, a queda média é de 12 a 15 mg/dL, levando até quatro meses para aparecer nos exames. É um processo lento que exige disciplina.

Cuidados e recomendações finais

A dieta mediterrânea continua sendo o padrão ouro para a saúde cardiovascular. Ela enfatiza gorduras boas e proteínas magras, servindo como o melhor suporte para quem deseja evitar remédios no futuro ou potencializar o tratamento atual.

Antes de iniciar qualquer suplementação, é fundamental consultar um cardiologista de confiança. O uso isolado de vitaminas ou ervas não é suficiente para proteger as artérias de quem já possui um risco elevado de doenças graves.

O foco deve ser sempre em terapias baseadas em evidências. Suplementos podem até ter um papel em casos de baixo risco, mas nunca devem ser vistos como uma cura mágica para o entupimento das artérias.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.