A dificuldade para despertar e a sensação de cansaço extremo ao abrir os olhos podem estar com os dias contados. Um estudo recente da Universidade Metropolitana de Osaka, no Japão, revelou que apenas 20 minutos de exposição à luz natural antes de sair da cama são suficientes para reduzir drasticamente a fadiga matinal. A pesquisa, publicada na revista científica Building and Environment, traz uma nova perspectiva sobre como o ambiente influencia nossa disposição diária.

O experimento foi liderado pelo professor Daisuke Matsushita, especialista em design de ambientes. Ele testou diferentes cenários de iluminação e descobriu que o grupo exposto à claridade solar pouco antes de despertar apresentou os melhores índices de alerta. Segundo o pesquisador, a luz atua como um sinalizador para o cérebro, preparando o corpo para a transição do sono para a vigília de forma menos traumática.

O papel do ritmo circadiano na saúde

Essa relação entre luz e energia ocorre devido ao nosso ritmo circadiano, o relógio interno que regula funções biológicas essenciais. O médico David Benavides, especialista em medicina do sono pela Harvard Medical School, explica que a luz é o estímulo externo mais forte para esse sistema. Quando a claridade entra pelos olhos, ela atinge o núcleo supraquiasmático no cérebro, sinalizando que é hora de aumentar a temperatura corporal e liberar hormônios de energia.

Ignorar esse ciclo pode trazer consequências graves para o organismo. Em abril de 2025, a American Heart Association (AHA) divulgou um comunicado científico reforçando que a saúde do sono vai além da duração. O documento destaca que o tempo de despertar e a regularidade do sono são cruciais para prevenir doenças como hipertensão, diabetes e obesidade. O alinhamento circadiano é, portanto, uma questão de sobrevivência cardiovascular.

Alternativas para os dias nublados

Embora a luz do sol seja a fonte ideal, nem sempre o clima ou a arquitetura das casas colaboram. Nesses casos, os despertadores de nascer do sol surgem como uma alternativa viável. Esses aparelhos simulam o amanhecer gradualmente, enchendo o quarto de luz antes do alarme sonoro. A neurocientista Allison Brager afirma que, embora a luz artificial não substitua perfeitamente o espectro solar, ela cumpre o papel de reduzir a inércia do sono em meses mais escuros.

Mas é importante ter cautela com o excesso de claridade durante a madrugada. O estudo japonês ressaltou que a exposição prolongada desde o início do amanhecer, como às 5h da manhã no verão, pode prejudicar a qualidade do sono profundo. O ideal é que a luz entre no quarto cerca de 20 minutos antes do horário programado para levantar, garantindo um despertar suave e eficiente.

Para colocar a técnica em prática, basta deixar uma fresta na cortina ou utilizar sistemas de automação que abram as janelas no horário desejado. Especialistas recomendam ainda que, após levantar, o indivíduo busque contato direto com o sol por pelo menos 15 minutos. Isso ajuda a consolidar o estado de alerta e melhora o humor ao longo de todo o dia.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.