O hábito de usar sapatos dentro de casa pode parecer inofensivo para muitos brasileiros, mas especialistas alertam que essa prática carrega riscos invisíveis para a saúde da família. De acordo com a Dra. Kelly Reynolds, microbiologista e professora da Universidade do Arizona, o calçado funciona como um transporte eficiente para microrganismos nocivos.

Estudos conduzidos pela instituição revelaram que 96% dos sapatos analisados continham colônias de bactérias em sua parte externa. Entre os patógenos encontrados, destaca-se a Escherichia coli (E. coli), conhecida por causar infecções urinárias graves, doenças gastrointestinais e até meningite em casos extremos.

O perigo escondido no solo das ruas

Além da E. coli, os pesquisadores identificaram a presença da Klebsiella pneumoniae, responsável por quadros de pneumonia, e da Serratia ficaria, que provoca diversas infecções. Esses agentes sobrevivem por dias ou semanas nos tapetes e frestas do piso, aguardando um hospedeiro.

Mas o risco não se limita apenas aos germes biológicos. O calçado traz para o ambiente doméstico resíduos de chumbo e outros metais pesados provenientes da poluição urbana e de tintas antigas. Esse acúmulo é especialmente perigoso para crianças e animais de estimação, que passam mais tempo em contato direto com o chão.

O ciclo de transmissão dentro do lar

A contaminação ocorre quando as partículas de sujeira grudadas no solado se soltam e se misturam à poeira doméstica. Se alguém toca o chão e depois leva a mão aos olhos, nariz ou boca, o ciclo de transmissão se completa, facilitando o surgimento de doenças.

Em casas com bebês que engatinham, o cuidado deve ser redobrado. As bactérias funcionam como imãs, grudando na poeira que, ao ser agitada pela circulação de pessoas, acaba sendo inalada pelos moradores. O uso de aspiradores com filtro HEPA é recomendado para tentar capturar essas micropartículas.

Como lidar com as visitas e manter a higiene

Pedir para os convidados retirarem os sapatos pode gerar um desconforto social, mas é uma medida de utilidade pública necessária. Uma solução educada é avisar com antecedência ou oferecer chinelos limpos e higienizados para uso exclusivo interno.

Se você optar por permitir que as visitas entrem calçadas, a recomendação dos especialistas é realizar uma desinfecção profunda logo após a saída dos convidados. O uso de desinfetantes certificados é essencial, pois produtos comuns de limpeza podem apenas perfumar sem eliminar os vírus e bactérias.

Diferença entre tipos de piso e limpeza

Pisos frios e laminados são mais fáceis de esterilizar com soluções de cloro diluído ou álcool 70%. Já os carpetes são considerados vilões pelos microbiologistas, pois retêm a sujeira de forma profunda, tornando a desinfecção total praticamente impossível.

Para manter a casa segura, o ideal é criar uma estação de troca logo na entrada. Deixar os sapatos da rua em um cesto ou sapateira na porta evita que os contaminantes circulem pelos quartos e cozinha. Manter a casa limpa é um ato de saúde que começa antes mesmo de cruzarmos o batente da porta.

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Jornalista com registro profissional (MT) e integrante estratégica da equipe editorial do Catanduvas em Foco. Atua na comunicação desde 2019 e possui sólida experiência em produção de eventos e web design. Como editora e redatora da Estúdio Mídia Publicidades LTDA, contribui para a curadoria de conteúdos factuais e relevantes que atendem a uma audiência de mais de 10 milhões de leitores, focando em ética, agilidade e precisão informativa.