A caminhada com inclinação tornou-se a nova favorita das academias brasileiras por prometer resultados intensos com baixo impacto. O método ganhou força com o fenômeno viral 12-3-30, que consiste em caminhar a 4,8 km/h com 12% de inclinação por meia hora. Mas a dúvida permanece sobre qual modalidade realmente vence a disputa pela saúde cardiovascular.
Especialistas afirmam que a escolha depende diretamente do seu objetivo e da saúde das suas articulações. O cardiologista Christopher Broyd, do hospital Nuffield Health, explica que ambos os exercícios são excelentes para o coração. A diferença reside em como o esforço é gerado no organismo durante a prática.
O poder da inclinação contra o impacto da corrida
Na caminhada inclinada, o esforço cardiovascular aumenta pela resistência da subida e não pela velocidade. Isso força o coração e os pulmões a trabalharem mais para oxigenar os músculos. É uma alternativa estratégica para quem busca proteger os joelhos e tornozelos de lesões comuns.
Por outro lado, a corrida é imbatível quando o assunto é eficiência de tempo e queima calórica imediata. Um estudo publicado pelo International Journal of Exercise Science revelou que a corrida queima cerca de 13 kcal por minuto. Em comparação, o treino de inclinação queima 10 kcal no mesmo período.
O preparador físico Monty Simmons destaca que a corrida melhora o VO2 máx de forma mais acelerada. Esse indicador mede a capacidade do corpo de consumir oxigênio durante o esforço físico intenso. Então, se você tem pouco tempo, correr pode ser a saída mais lógica para o dia.
Fortalecimento muscular e saúde das articulações
A caminhada com inclinação leva vantagem no quesito fortalecimento da cadeia posterior. Ela recruta intensamente os glúteos, isquiotibiais e panturrilhas. Esse tipo de esforço é fundamental para quem passa muito tempo sentado e precisa de estabilidade na lombar.
Já a corrida fortalece os tendões e ossos através do impacto repetido, desde que a carga seja gradual. No entanto, o risco de lesões por excesso de uso é consideravelmente maior para corredores iniciantes. O impacto no solo exige uma técnica mais refinada e calçados com amortecimento superior.
Para quem foca em perda de peso sustentável, a caminhada inclinada pode ser mais fácil de manter a longo prazo. Ela gera menos fadiga extrema e não desperta tanta fome quanto a corrida intensa. Manter a consistência é o fator determinante para ver mudanças reais na balança e no espelho.
Saúde mental e o bem-estar psicológico
No campo da saúde mental, a corrida apresenta benefícios documentados por instituições renomadas. Um estudo da Universidade de Boston indicou que correr 20 minutos, três vezes por semana, auxilia no combate à depressão. O exercício libera endorfina e dopamina de forma mais explosiva no cérebro.
Mas a caminhada não fica atrás como ferramenta de relaxamento e foco mental. O ritmo constante e moderado ajuda a reduzir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. É um momento de meditação ativa que favorece a clareza de pensamentos após um dia exaustivo.
Como escolher o melhor caminho para você
O ideal é não se prender a apenas uma modalidade e alternar os estímulos conforme sua disposição. Use a caminhada inclinada para sessões mais longas e dias de recuperação muscular. Reserve a corrida para os dias em que deseja testar seus limites de performance.
Antes de iniciar qualquer treino de alta intensidade, consulte um médico cardiologista para avaliar sua condição física. Comece sempre de forma lenta, ajustando a inclinação ou a velocidade progressivamente. A melhor atividade física é aquela que você consegue repetir todos os dias com prazer.
